Figueira da Foz a Coimbra

Sexta-feira, 26 de maio. Saindo de Figueira da Foz, retomamos caminho em direção à Coimbra. Passando pela zona rural, entre plantações de arroz. O Sergio, nosso guia ficou até espantado pois não sabia que seu país produz arroz. Não é uma grande produção mas atende a demanda.

Para nós, brasileiros o que surpreendeu foi a quantidade de cegonhas e seus ninhos nas torres de eletricidade. Verdadeiras comunidades, condomínios de cegonhas. E ninguém pode mexer com elas. São protegidas, mas causam prejuízos aos produtores de arroz. São aves lindas, mas são um problema para região, grande produtora agrícola.

As torres de energia elétrica viraram condomínios de cegonhas
São ninhos enormes em locais bem improváveis

Passamos por Montemor – o – Velho. A cidade tem um castelo cheio de histórias desde o ano de 991. Não conseguimos fazer uma boa foto, mas descobrimos uma foto linda feita pelo Anselmo Sousa, fotógrafo português que gentilmente nos cedeu para publicar aqui. Aliás ele tem fotos maravilhosas. Visite a página dele:  https://www.flickr.com/photos/anselmo_sousa/

Castelo de Montemor-O-Velho Foto: Anselmo Souza

Nossas bikes descansam aos pés do Castelo

Foi uma fortificação muçulmana depois conquistada pelos católicos e por aí vai. Tem uma grande importância na história portuguesa. Procure conhecer. É curiosa. Lá de cima avista-se o vale, o rio e os arrozais. No castelo encontramos muitas crianças, todas de gorrinho vermelho, acompanhadas de suas professoras, brincando ruidosamente no gramado. A festa da primavera.

Claro que a criança que (ainda bem) vive e viverá eternamente na Jussara, também quis deitar no gramado e ficar olhando para o céu enchendo a alma de alegria e beleza.

Uma das vistas de Montemor o Velho a partir do Castelo

Ao descer do castelo paramos para um lanche em um café na praça em frente a Câmara Municipal. Tinha ponto de venda de loteria e tentamos a sorte. Quem sabe poderíamos continuar viajando um ano. Pedalamos ao longo do Rio Mondego. O rio que banha toda a região e também a cidade de Coimbra. O rio eternizado em versos de Luiz Vaz de Camões (1616).  “Doces águas e claras do Mondego, doce repouso de minha lembrança, onde a comprida e pérfida esperança longo tempo após si me trouxe cego;”  Uma estradinha cascalhada cheia de chorões dando um ar lindamente bucólico àquele trecho urbano nos provocava uma vontade imensa de que aquele momento se prolongasse por horas e horas, mas…

Chegamos aos arredores de Coimbra pelo Choupal, um lindo parque, mais ou menos a metade do Parque do Ibirapuera em SP, mas foi inteiro plantado, criado para conter as enchentes do Rio Mondego.

Parque do Choupal

Na cidade muita subida para chegar no hotel, sofremos bastante porque erramos algumas vezes o caminho. O Hotel Casa de São Bento vale destacar. Uma moradia do século XIX recuperada, onde funcionou um dos antigos colégio de Coimbra. Ao lado da Universidade, do Aqueduto São Sebastião com características de aproveitamento de ruínas de um aqueduto romano, e do Jardim Botânico. Uma localização fantástica. Um conceito interessante de hospedagem, muito confortável e muito charmoso.

Hotel Casa de São Bento

Abrindo um parêntesis aqui, ao chegar no hotel, lá estava, muito bem embalado, um laptop que havíamos deixado para consertar na cidade do Porto. Ele não ficaria pronto até o dia em que deixaríamos a cidade, então prometeram enviar para o hotel em Coimbra. Como ainda não havíamos pago o conserto, ficamos receosos de nunca mais ver o dito cujo. Mas lá estava ele, entregue pelo correio. Ufa! Brasileiro tem medo de certas coisas. Com muita razão, né não?

Coimbra. Uma cidade em meio aos morros. Falar sobre ela é difícil pois tem muita história, mas basta dizer que sua Universidade é uma das mais antigas do mundo. Muita gente jovem nas ruas. Muitas repúblicas.

Coimbra vista a partir da Universidade
Aqueduto de São Sebastião
Na cidade alta, olhando para a cidade baixa. O Rio Mondego espelhando as luzes
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